A integração Psicoenergética do Parto

Após o parto – independentemente da forma como os nossos filhos deixam o mundo aquático- vivemos desconhecidas, inesperadas e intensas mudanças, a todos os níveis do nosso Ser. O inicio da maternidade externa, pode ser compreendido como uma crise de reestruturação biopsicofisicoespiritual, que se inicia na conclusão da gravidez e na integração da experiência do parto, chamada de: puerpério.

Um dos elementos chave que determina a sua qualidade e a felicidade no puerpério, é contar com  recursos internos suficientes que nos sustentem no amor e permitam de forma consciente, adaptar-nos às constantes transformações dos primeiros dois anos de maternidade.

Quando não contamos -ou não sabemos como usar- esses recursos internos, muitas de nós criamos puerpérios angustiantes, confusos e assustadores; que intoxicam o vínculo com os nossos dependentes bebés e impossibilitam -entre outras coisas- a partilha de experiências fundamentais; as quais determinam o grau em que os nossos filhos se sentirão alguma vez seguros e amados, pela vida e pelos outros.

Como terapeuta pré-perinatal, entendo que: a forma como somos recebidos ao chegar à vida, determina quem -acreditamos- que somos / se viemos para viver ou para sobreviver / que lugar devemos ocupar na família e nos vínculos, para que eles também sobrevivam / o que devemos esperar da vida e dos outros / o que valemos e o que merecemos enquanto pessoas. 

O processo de aceitação e valorização da experiência do parto e a adaptação à nova vida, é feito progressivamente pela mulher, no seu tempo e em função da sua capacidade de conjugar os seus recursos internos e externos. Neste sentido, gostaria de te deixar alguns sinais em claro nos quais te possas apoiar, para o caso de ponderares receber ajuda profissional adequada e viver um puerpério construtivo:

Puerpério Empoderado – quando confirmamos as nossas capacidades no parto; quando nos vemos todopoderosas; nos sentimos em expansão, inspiradas, criativas e numa conexão -a todos os níveis- com o nosso filho (erótica, emocional, telepática, mental, espiritual). Saldo positivo do parto

Puerpério Organizado – quando aceitamos o que aconteceu, mesmo que não tenha satisfeito as nossas expectativas; nos sentimos cuidadas, contidas, acompanhadas, respeitadas. Temos necessidade de falar sobre o parto com pessoas de confiança; sonhamos com ele e relembramos detalhes. Aos poucos vamos reconstruindo o puzzle mental e emocional da nossa experiência; vamos percebendo o fortes e corajosas que fomos; assim como reconhecendo as nossas fragilidades. Nos sentimos gratas, orgulhosas, mais fortes. Saldo positivo do parto

Puerperio Confusoquando ficamos sem compreender o que nos aconteceu. Desconhecemos o que sentimos e  não sabemos ao certo quem somos agora; temos duvidas sobre o que precisamos para satisfazer as nossas necessidades. Precisamos que sejam os outros a valorizar e dar significar ao que aconteceu. Temos dificuldade em nos adaptar e organizar na vida prática. Nos angustiamos e perde-mo-nos perante as lembranças do parto. Saldo negativo do parto = precisamos ajuda profissional.

Puerpério Desorganizadoquando o vivido deixa profundas feridas emocionais. Estamos “fora do corpo”, sem conseguir sentir o que aconteceu. Olhamos para as lembranças do parto e não nos reconhecemos nelas. Parece que não conseguimos sentir nada -nem a presença, nem os pedidos- nem o bebé. Choramos permanentemente ou não choramos nunca. Somos incapazes de organizar o pensamento ou a vida diária. Nos sentimos incompetentes para cuidar do bebé. Não cuidamos de nós próprias e somos negligentes com o bebé e com os demais filhos. Podemos dormir muito ou não acordar com o choro do bebé. Estamos completamente desligadas dele.

Pode ocorrer também que:

  • Fujamos da realidade: não estabelecer a amamentação; ter muita dificuldade em cuidar de nós e do nosso bebé; chorar com frequência; o bebé ter mau-estares constantes; rejeitar o bebé, dormir muito, etc.
  • Lutemos contra a realidade: ficar hiperexigentes connosco e os demais; querer ser/ter as coisas na perfeição; ficar agressivas quando isto não acontece; perder o sono ou o apetite; rejeitar a presença do nosso companheiro; ter sintomas nas mamas ou no útero; o bebé ter mau-estares constantes, etc.
  • Paralisemos perante a realidade: ficar em coma no parto ou depois; partir um braço ou perna e ter que ficar imóvel; apanhar uma infecção que nos isole dos demais e do bebé, etc.

Todas estas variantes são expressão de um saldo muito negativo do parto = sem ajuda profisional os sintomas se agravarão, mais e mais. 

 

Ser mãe responsável é em primeiríssima instância: sermos  capazes de cuidar de nós mesmas.

Na medida em que procuremos ajuda para ser capazes de aceitar, compreender, transformar, curar, aconchegar e encerrar a nossa experiência de parto com um saldo positivo, seremos também capazes de criar um puerpério amoroso e rico em aprendizagens. Seremos capazes de  preparar a terra da consciência dos nossos filhos e semear segurança básica a partir deste vínculo sagrado; do qual nascerão os frutos da confiança na vida e em si mesmos.

É fundamental estares atenta às necessidades do teu corpo e do teu coração, para seres capaz de detectar quando pedir ajuda. Optar por um acompanhamento profissional, é escolher um caminho seguro, consciente e amável, na direção de uma maternidade positiva e enriquecedora.

Partilhas comigo como foi o teu puerpério?

Com amor,

Rita de Sousa

A guardiã da vida

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