Responsabilidade e Liberdade na Planificação do Parto

Aos 23 anos, junto com o meu primeiro filho – fruto de uma gravidez consciente, desejada e planeada – me descobri a dar um salto de crescimento interior: um percurso repleto de mudanças, incertezas, medos e ansiedades, desconhecimentos e contrariedades. Eu queria muito muitas coisas: tinhas objetivos sustentados em ideais, mas  faltavam-me ferramentas para lá chegar. Comecei a procurar, estudar, experimentar e uns meses depois, tinha trilhado vários caminhos – no meu interior e lá fora na vida- com entrega, paixão, honestidade e muita ilusão. Tinha encontrado soluções para me sentir bem, apesar das frustrações; conquistado segurança para agir desde o meu instinto e intuição; encontrado o lugar e as pessoas perfeitas para dar à luz; tinha iniciado a certificação em yogaterapia e fortalecido o meu corpo, tornado-o mais contentor e capaz; tinha aplicado o pensamento criativo e nutrido o meu filho de confiança pela vida e ainda regado outras áreas da minha realização com o prazer destas conquistas. Estava honestamente muito satisfeita!

Em pleno parto, aprendi muitas coisas e uma delas foi que “há coisas que só se descobrem em plena viagem”. Não dei à luz como desejava… Na altura não contava com todas as ferramentas de transformação pessoal que tenho hoje: demorei um ano a processar completamente essa experiência.

Apesar de ter sido acompanhada na gravidez e no parto pelos mesmos profissionais de saúde, de confiar neles, na sua palavra e capacidade técnica; de conhecer o lugar onde ia dar à luz; de eu e o meu companheiro ter-mos feito o curso de preparação para o parto que se oferecia naquela instituição; de praticar afirmações positivas, visualizações, de falar e estar conectada com o meu filho; de fazer Yoga a diário; não estava emocionalmente preparada para GERIR A DOR nem ME SENTI ADEQUADAMENTE APOIADA PELOS PROFISSIONAIS QUE ME ASSISTIRAM. Um dia te contarei “mais porquês e para quês” desta experiência, hoje permite-me saltar essa reflexão e ir diretamente para uma das conclusões às quais cheguei: há claramente dois caminhos para entrar na maternidade COM DESCOBERTA OU COM DESCONHECIMENTO, para qual estás a caminhar tu?

Pergunto: como desejas/queres/idealizas viver essa experiência?

– Estarias disposta a dar mais que os dois primeiros passinhos para conquistar isto?
– Estarias disposta a percorrer caminhos diferentes dos que já conheces?
– Estarias estarias disposta a descobrir que ferramentas precisas levar na tua viagem?
– Estarias disposta a te preparares reunindo e fortalecendo o teu potencial físico, emocional e mental?

Eu desconhecia que na viagem do parto HÁ COISAS QUE NOS CONDUZEM -as âncoras, raízes, seguranças, conhecimentos, convicções, pensamentos poderosos- e outras QUE NOS PARALISAM -os medos, angústias, lembranças aterradoras, histórias de família, inseguranças, crenças negativas, o quanto “habitamos” o nosso corpo ou as memórias traumáticas não resolvidas – e estou decidida a partilhar contigo essa aprendizagem: é a minha forma de transcender.

Sabe que O QUE NÃO CONHECERES OU TRANSFORMARES POR DENTRO, CONTINUARÁ A FAZER PARTE DE TI e influenciará o resultado das tuas experiências e a forma como te sentes nelas: quer seja no parto, na sexualidade, no êxito profissional, nos teus relacionamentos, na saúde u em qualquer outra dimensão da vida.

Hoje eu sei como fazer possível a vivência do amor, da fortaleza feminina, da bênção, da dor sem sofrimento, do erotismo, da poesia, da família, da beleza, do silêncio, do canto, da intimidade, do respeito, da diversão, do prazer ou da cura, durante o nascimento de nossos filhos. Também sei que complementariamente ao auto conhecimento e à planificação consciente do parto, existem os profissionais de saúde que nos acompanham: eles podem fazer toda a diferença, como foi o meu caso.

Há seres humanos e excelentes profissionais que sabem testemunhar o milagre da vida em cada nascimento; assumir com maturidade os seus medos sem condicionar a mulher; soltar a vaidade, o domínio e controlo desnecessário e intimidativo; sabem viver as suas emoções; integrar a espiritualidade na vida profissional; confiar na enorme e misteriosa capacidade de cada mulher que assistem. Da sua postura perante o nascimento, deveu-se a minha decisão de embarcar na viagem de me capacitar como doula no ano 2006, assim como a profunda diferença entre a perceção de incapacidade e fracasso com que fiquei após o meu primeiro parto e a de conquista e orgulho no segundo.

Fica a saber que toda pessoa presente no momento sagrado do nascimento, importa muito para a qualidade da nossa experiência e para a forma como ficaremos a sentir-nos e a compreendê-la no futuro: seja o nosso companheiro, mãe, doula, avó, enfermeira, parteiro, obstetra… Por isso é fundamental não desvalorizar este exercício à nossa liberdade de escolha, nem não nos deixar-mos levar pelo automatismo ou pelo peso do convencional: o parto é nosso, a escolha de quem participará nele, também.

Se o caminho de construir uma experiência gratificante e respeitosa, for uma opção para ti, vem capacitar-te comigo e transformar as tuas fragilidades em fortalezas / os medos em confiança / a paralisia em liderança / o desconhecimento em empoderamento / a limitação em capacidade ou a dependência em autonomia.

Este é o testemunho da mãe Mónica Mariano, após o nascimento da sua filha Raquel:

“O acompanhamento da doula permitiu-me ter aceso a muita informação sobre a gravidez e o parto; ganhar mais confiança nas minhas escolhas e foi indispensável para integrar o pai em todos os momentos. Revelou-se fundamental, pois parecia vir sempre nos momentos certos.”

Consulta pelas modalidades presencial e à distância.

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