Rituais Maternos Genuinos

Ao longo do ciclo da vida experienciamos momentos de viragem chave, cuja importância e expressão precisam de ser honestamente resgatadas por aqueles que pretendemos viver com autenticidade e significado. Estaremos a dar-nos essa permissão?

Será que todos vivemos de igual forma o início da escola primária? a 1º menstruação? o inicio da sexualidade? o inicio dos estudos universitários? o 1º dia de trabalho? um 1º dia de união afetiva? um dia depois do seu encerramento? o nosso parto? o 1º dente de um filho? os seus primeiros passos? a partida de um dos pais ou de um grande professor? Penso que não, porque cada um de nós traz a sua forma única de pensar e sentir.

Falo de celebrar as mudanças como algo irrepetível, como um decisivo aprendizado que não se esquecerá jamais. Falo de recriar -ou em último caso resgatar- formas de honrar as nossas conquistas, rendições, mortes e renascimentos, renovações de compromisso ou encerramentos; se queremos ser congruentes e honrar a verdade que reside detrás de cada um dos momentos cruciais.

Sabendo que um dos desafios que naturalmente se coloca, é termos que lidar com a liberdade e a responsabilidade de assumirmos o significado que damos às coisas; encontro de grande utilidade tomar-mo-nos uns momentos para refletir sobre as tradições e costumes que seguimos. Desde a mulher apaixonada por rituais e por inícios que vive em mim, pergunto-me qual o sentido de reunir família e amigos, com a intenção de celebrar a chegada de um filho e dizer que vamos fazer um babyshower? Iremos dar banho a um bebé que ainda não nasceu ou estamos a ignorar a possibilidade de nos atrevermos a sermos genuín@s e conduzir-nos enquanto pais, por caminhos de descoberta da nossa autenticidade?

Tal como cada um de nós tem o seu próprio nome – o que evidencia a nossa unicidade – cada povo deve apropriar-se dos seus próprios sons, sentires e sentidos. Contudo não se trata apenas de aportuguesar o babyshower, o que me inquieta e sim de não o fazermos desde a consciência do milagre da vida que pulsa entre nós. Mais além de procurarmos preencher as necessidades materiais da mãe-bebé ou das habituais preocupações pela comida e a decoração da casa; parece-me que vai sendo hora de pensar no que realmente precisamos os pais, pelo menos no início de uma nova experiência de parentalidade: esta celebração trata-se -na minha visão-  de receber dos nossos afetos aquela energia que nos acalenta o coração e a alma; que nos faz sentir imersos numa família que temos ou que escolhemos; que nos conecta com as raízes que escolhemos honrar. E para isso faz sentido um ritual criado com as nossas próprias cores, símbolos, cheiros, formas, palavras mágicas, sons sagrados, cânticos, danças, gestos, textos e pleno em significado pessoal.

Imagino que muitos de nós  precisa de se sentir autorizado ou suficientemente importante ou valioso como para ter direito a formalizar a sua  própria cerimónia. Imagino que haja quem precise que alguém lhe valide o significado transcendente de um momento X da sua vida. Imagino que alguns precisem do reconhecimento externo, para agir utilizando as suas virtudes e poderes através das suas ações; que ignorem o que os seus gestos, fórmulas, símbolos, palavras e principalmente intenções de bençãos, podem fazer.

Quando penso nos recursos com que contamos para dar o nosso próprio significado às fogueiras que travessamos, penso em capacidades como: saber identificar o que sentimos; o que compreendemos sobre a nossa realidade; como simbolizamos nossas vivências. Estou certa de que todos somos capazes de o fazer, com um pouco de prática e entusiasmo! Todos somos capazes de produzir efeitos amorosos sobre aquilo que bendizemos!

Penso também na conexão que todos temos com forças superiores, aquilo que nos protege e guia as nossas vidas. Penso no impacto da palavra íntegra, do compromisso de ajuda aos pais, na aceitação da forma genuína como eles escolhem percorrem o seu próprio trilho. Também nos recursos materiais que escolhem utilizar e que valorizam, claro.

E se te animas a criar com os teus próprios rituais, tornando sagrado cada capítulo da tua história? Se te animas a expressar o reconhecimento e o VALOR que dás aos teus novos inícios?

Os rituais têm o poder de nos fortalecer, enraizar, direcionar, expandir, empoderar; quando vividos de forma genuina!

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