Tenho medo do parto

Na época da superinformação muitas mulheres a caminho do parto, ouvimos e vemos diariamente, uma infinidade de informação – que nem sempre nos nutre e por vezes até nos entoxica- na esperança de nos sentirmos mais capazes e seguras.

Vemos imagens, opiniões, relatos, chats, lemos estudos / livros / revistas, vemos vídeos e ecografias, falamos pouco com o médico e muito mais com as amigas… e em muitas ocasiões “menos, começa a ser mais”.

Porém, também oferecemos “um banquete de verdadeiras delícias informativas” ao nosso insaciável e sombrio vizinho Sr. S – o subconsciente- quem gosta sem aviso prévio, de nos bater à porta e nos oferecer lições de aprendizagens inesquecíveis, daquelas pelas quais preferiríamos não ter que passar na nossa experiência de parto.

Hoje falar-te-ei do impacto das ignoradas crenças mentais limitadoras, na criação e vivência da tua experiência de parto e nascimento.

Para criares construtivamente o teu parto e seres capaz de o suster na consciência -descrevo isso neste artigo-  todas as informações que recebes têm um impacto considerável em ti, principalmente por três questões:

  1. por norma são informações de carácter negativo ou claramente romântico, extremas e então de certa forma pouco úteis para nós;
  2. contadas por observadores não presentes na situação – o disse que me disse – o que na maioria das vezes é vivido de formas totalmente diferentes tanto pelo observador, como pela protagonista: é muito comum as famílias se surpreenderem com as divergências entre aquilo que os acompanhantes interpretam das situações de parto e aquilo que é realmente vivido pelas mães.
  3. até que ponto devemos considerar tudo o que ouvimos e vemos, se não temos certezas de quais destas informações será secretamente gravada pelo subconsciente com etiquetas vermelhas, no estilo: muito real / muito provável / muito perigoso / muito temível / muito certo.

De forma que, aquilo que vemos e ouvimos é para o vizinho “S”, tão importante como aquilo que vivemos. Por isso quero recomendar-te duas coisas: cuida bem a quem -e a quê- abres a porta da aprendizagem e segundo; observa-te, escuta os teus pensamentos e sentimentos, faz-te perguntas, ouve aquilo que vai no teu interior e quando te sentires invadida pela medo, a desesperança ou a necessidade de sair à fuga ou de entrar na luta com toda a gente: pede ajuda a alguém competente e não deixes que essa situação se prolongue.

Olhamos para dentro e transformando aquelas questões que nos impedem de ter um desempenho facilitador e intuitivo no nosso parto, ampliaremos as nossas opções a aquelas experiências que ainda precisam de ser resolvidas; aquelas que vibram com os nossos maiores medos e dificuldades do passado. Ficaremos assim, à mercê da vontade e armadilhas do nosso subconsciente, o qual será de certo modo, um dos frutos da nossa ignorância.

Certamente já ouviste algumas destas pérolas-sementes-crenças negativas: são expressões que revelam certos entendimentos das coisas e que fazem parte do chamado campo mórfico ou inconsciente colectivo, cultural e histórico. O parto…

– é um momento de urgência;

– é um momento de perigo de vida;

– a segurança das vidas depende das tecnologias dos médicos;

– é um sacrifício pelo qual as mulheres estamos obrigadas a passar;

– se fugimos e pedimos cesariana, não seremos boas mães;

– quanto mais rápido for, melhor;

– que não tem piada nenhuma…como posso eu gostar de falar disso...

Crenças limitantes e redutoras que vivem não só nas nossas mentes, senão também nas células e criam – sem qualquer ação da nossa vontade – as suas próprias realidades, das quais naturalmente somos vítimas.

As crenças subconscientes podem criar e condicionar de forma permanente os nossos comportamentos, respostas automáticas, decisões conscientes, escolhas, ações e até, sensações. 

Se já ouviste dizer que somos nós quem criamos a nossa realidade, pois considera que isso também acontece na mágica e imprevisível experiência de parto.

Nenhum dos meus dois partos foi de filme, romântico, orgásmico… não foram fáceis, rápidos ou previsíveis. Ainda assim nada me impediu de os aproveitar ao máximo. Sim, mesmo com a dor presente. E não, eu não sou “daquelas que precisa de sofrer“. E então, como?

Então o segredo foi a forma como -no meu caso desde sempre- sinto, compreendo e valorizo o que as mulheres somos capazes de viver, quando acompanhamos consciente e instintivamente, a chegada -a este lado da vida- dos nossos filhos. Deixa-me contar-te algumas coisas que acredito sobre o parto:

~ uma mágica consagração -ação que tornar sagrado- da minha maternidade;

~ uma misteriosa experiência de expansão da minha sexualidade;

~ uma surpreendente viagem de conexão com o meu corpo;

~ uma prova de capacidade e superação dos limites conhecidos;

~ um aprofundamento da confiança, entrega e respeito com o pai dos meus filhos;

~ uma honra pessoal por poder ser eu a primeira a acolher os meus filhos no mundo;

~ uma celebração da vida, muito íntima, genuína e familiar;

~ um milagre, que só as mulheres somo capazes de materializar.

Existem muitas mulheres que sentem orgulho por terem sido capazes de passar pela experiência. Essas mulheres reúnem muitas mais crenças positivas sobre o parto, do que negativas.

Cada parto com a sua unicidade ou perfeição

E tu, como gostarias que fosse o teu parto?

Com amor,

Rita de Sousa

A guardiã da vida.

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